Jazz Magazine · Fevereiro de 2026 · N.º 789
« Choc du mois »
Um dos discos escolhidos entre os Chocs du mois ↗
Minino Garay & Baptiste Herbin
Los Arregladores
Outras maneiras de ouvir nossas raízes.
Uma homenagem a quem transforma uma composição por meio do arranjo. Jazz, canções latino-americanas e ritmos tradicionais se encontram em um disco coletivo.
Lançado em 16 de janeiro de 2026

A arte de ouvir de novo
Os arranjos são a força que move este disco. Minino Garay e Baptiste Herbin reúnem músicos de diferentes trajetórias para revisitar canções latino-americanas e standards de jazz. Mudam a pulsação, descobrem outra cor em uma melodia conhecida e deixam cada versão encontrar sua forma. A escrita tem precisão; a interpretação tem espaço para surpreender.
Em Los Arregladores, essa busca alcança um dos momentos mais importantes da carreira de Garay: a Qobuz o considera seu disco mais bem realizado até hoje. Latins de Jazz destaca sua sensibilidade e ousadia. A ambição se ouve no encontro entre o swing e os ritmos da América Latina: há sutileza nos detalhes e uma energia coletiva que nunca perde de vista as canções.
Há mais de trinta e cinco anos, Garay amplia a linguagem da percussão na França. Sua trajetória, com mais de 250 gravações, cruza jazz, música argentina e colaborações com artistas de origens muito diversas. O bombo legüero, o cajón peruano, a bateria e sua voz grave constroem atmosferas, tensões e uma pulsação reconhecível. Herbin contribui com um saxofone de fraseado preciso e grande imaginação; sua relação com as músicas sul-americanas enriquece cada troca sem apagar sua voz de improvisador.
« Explorateur rythmique infatigable »Le Jazzophone · sobre Minino Garay
« une technique éclatante à une grande profondeur musicale »Le Jazzophone · sobre Baptiste Herbin
Baptiste Herbin é um virtuose do saxofone alto cuja técnica brilhante convive com uma notável profundidade musical. Le Jazzophone o situa na linhagem dos grandes improvisadores da atualidade. Em Los Arregladores, essa habilidade está a serviço do conjunto: ele escuta os acentos de Minino, dá relevo a cada melodia e encontra sutileza até nas passagens de maior intensidade.
Leo Montana ao piano e Felipe Cabrera ao contrabaixo completam um quarteto em que cada músico tem algo a dizer. Patricio “Tripa” Bonfiglio acrescenta o bandoneón em duas faixas. A cueca, a habanera, o landó e a chacarera se entrelaçam com as síncopes do jazz; temas como “Llorando se fue” e “La Peregrinación” convivem com Monk e Wayne Shorter. O disco valoriza os arranjadores, esses autores discretos capazes de transformar uma obra familiar em uma nova experiência.
Sobre o disco e seus protagonistas: Qobuz, Latins de Jazz e Le Jazzophone.
“Um álbum erudito, sensível e ousado que convida a ouvir de outra maneira canções conhecidas; uma viagem musical multicultural, rica em revelações.”Court-Circuit / Jazz Station · tradução
